Empresa culpa TSE equatoriano pelos erros e diz que não abandonou apuração

Por Venezuela Real - 19 de Octubre, 2006, 19:12, Categoría: Política Internacional

FABIANO MAISONNAVE
Enviado especial a Quito
Folha de Sao Paolo
18 de Octubre de 2006

Procuradoria-Geral diz que órgão eleitoral burlou trâmites ao contratar E-Vote; centenas protestam e acusam fraude
Pressionado a renunciar, presidente do TSE diz ter sido ameaçado de morte; órgão não decide se divulga resultado somado por firma

Depois de tumultuar as eleições no Equador ao atrasar a apuração dos votos e apesar de prometer que entregaria os resultados finais ontem, o consórcio brasileiro E-Vote voltou a falhar. Até o final desta edição, a apuração dos votos a presidente só havia avançado 1,66 ponto percentual em relação a domingo -de 70,59% para 72,25%. Já apuração parlamentar não havia saído do zero.

O problema no atraso da apuração continuou sendo o principal assunto político do dia no Equador.

Cada vez mais pressionado a renunciar, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral do país, Xavier Cazar, em entrevista à rádio "Ecuoradio", voltou a negar que tenha havido fraude e pediu "tranqüilidade" à população. Disse ainda que ele e sua filha foram ameaçados de morte.

A Procuradoria-Geral e a Controladoria-Geral do Equador responsabilizaram ontem o TSE pelos problemas com a apuração do E-Vote e afirmaram que assinatura do contrato não seguiu trâmites legais.

Anteontem à noite, algumas centenas de manifestantes foram à sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) exigir a renúncia de Cazar e protestar contra o E-Vote.

O representante do E-Vote no país, o equatoriano Santiago Murray, havia prometido ontem à noite que o consórcio entregaria os resultados hoje e pediu desculpas pelo atraso.

O porta-voz do TSE Jorge Valdospinos, no entanto, disse à Folha que o órgão eleitoral só soube do novo prazo dado pelo E-Vote via imprensa.

Segundo Valdospinos, como o contrato com o E-Vote foi revogado anteontem, o TSE ainda não havia decidido se divulgaria uma eventual apuração final feita pelo consórcio.

Ao longo do dia de ontem, houve informações desencontradas sobre o trabalho do E-Vote. O canal de TV CN3 chegou a informar que o consórcio havia terminado a apuração, mas que sua divulgação precisava ser autorizada pelo TSE.

O fiasco na contagem reforçou as acusações do esquerdista Rafael Correa (Alianza Pais), feitas desde o domingo, de que houve fraude nas eleições. Ontem, Correa disse que o consórcio E-Vote praticou irregularidades em conluio com seu concorrente no segundo turno, o megaempresário de direita Alvaro Noboa.

Correa também pediu à Procuradoria a prisão de Murray, mas o órgão não havia se manifestado até ontem à noite Noboa, candidato do Priam (Partido Renovador Institucional Ação Nacional), também criticou o E-Vote, mas descartou qualquer possibilidade de fraude.

O chefe da missão de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos), o ex-chanceler argentino Rafael Bielsa, voltou a descartar irregularidades ontem.

Bielsa, no entanto, disse que a missão havia advertido o TSE sobre a fragilidade do sistema de contagem rápida, que deveria ter sido concluída ainda na noite de domingo, quando foram realizadas as eleições.
 
Apuração oficial

A apuração oficial confirma que o aliado do presidente Hugo Chávez disputará o segundo turno com "rei da banana" noboa no ainda distante 26 de novembro. Com 59,9% dos votos apurados oficialmente pelo TSE, o direitista aparecia com 25,31% dos votos válidos, contra 24,58% de Correa.

A apuração oficial apresenta uma pequena diferença com a contagem rápida do E-Vote, que, com a apuração em 72,25%, dava uma vantagem de pouco mais de quatro pontos percentuais de Noboa sobre Correa.

O TSE prometeu entregar os resultados presidenciais ainda hoje, mas não estabeleceu um prazo para divulgar os nomes dos cem parlamentares eleitos no domingo, provocando acusações de irregularidades de vários candidatos.

O fracasso do E-Vote ocupou as manchetes de praticamente todos os jornais do Equador. No "El Comercio", o principal do país, o título era: "O colapso no envio de dados provocou outra crise".








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